terça-feira, 25 de agosto de 2015

duelos

Preciso
parar com
o excesso
que habita em mim

exagero no amor
na saudade
na querência
e naquilo que 
só posso ter
na poesia

preciso esvaziar
o corpo
e a mente
de tudo isso que me atordoa
e não reflete
aparentemente.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

o coração dos poetas

quando você achar
que o teu coração é 
o mais doentio, 
lembre-se dos poetas

são corações que 
desbotam suas cores
e transbordam em poesias,

corações que se estraçalham
pra transformar o som do choro
num riso cheio de melodias

são vários corações
em um só
e todos eles tendem a sangrar
diariamente,
mas estão sempre de portas abertas.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

quarta-feira, 18 de março de 2015

brincar de amor

o que seria o amor
senão essa eterna brincadeira
de quando a gente era criança:
iôiô,
das idas e vindas
e suas cheganças? 

das atrocidades do tempo

o tempo 
é o senhor travesso;

quando a gente imagina que está indo
na verdade, já estamos voltando
quando pensamos que aprendemos tudo
na verdade, não sabemos quase nada
quando o ciúme imita a saudade
na verdade, é o amor que ainda não foi consumado
quando eles me diziam que eu vivia com a cabeça na lua
na verdade, é porque eu nunca quis sair de lá

eu gosto do tic tac
do passarinho
de tudo que já passou
mas prefiro o que está por vir
e o tempo brinca com tudo
inclusive, quando estamos prestes a partir

ele silencia os tons
vai fazendo o terreno pra saudade,
anexando os dons
matando todas as vontades

das atrocidades do tempo
a melhor de todas
é que ele passa
e sempre vai continuar passando
porque tudo na vida
é passageiro,
mesmo que você não compre a passagem.

quinta-feira, 12 de março de 2015

o som que a risada tem

perceber o som
que a risada tem
se a gente nem sabe
mais o que fazer,
sem sair do tom
a questão desdém: 
você nunca se idiotizou,
nem amou ninguém.

o eco do silêncio
o ego do momento
foi apenas só,
digno de dó
voltando ao pó
na garganta, nó.

diálogos #1

- mas e quando a saudade aperta?
- os olhos apertam também
- de tanto chorar?
- não, de tanto sorrir ao lembrar dela.


o amor tem desses apertos.

terça-feira, 10 de março de 2015

por onde há paz

não sei se foi só sonho
ou se na realidade aconteceu
é que fica quase imperceptível
quando tu aparece em um sonho meu

a realidade se confunde
com a tua imagem
que se distancia a cada 
piscar dos olhos

teu amor é como uma tempestade
de felicidade
e cumplicidade,
esquece essas lonjuras 
enquanto pisco os olhos vagarosamente 
pra que você não saia da minha frente
e vem...chega de saudade!

segunda-feira, 9 de março de 2015

inconstantes

distintos
distantes
destinos
são inconstantes

no nosso destino
já estava escrito:
eu morria em você...

de todas as vezes,
morri de saudade
morri de distâncias 
morri de vontade
morri com as circunstâncias
e eu ia morrendo
a cada lágrima
que você deixava escorrer pelo rosto,
fosse só por saudade
por distância
por vontade
ou pelo nosso
destino
distinto... 
inconstante.

sábado, 7 de março de 2015

âncora

sabe a sensação de estar de frente pro mar?
é como amar pela primeira vez

mergulho
diariamente
pra ter na mente
novas sentimentos
e,
se preciso flor
reaprendo a nadar
a remar
a (re)amar.

terça-feira, 3 de março de 2015

ventos distantes

distante
ouvia os roídos desse coração
que batia
- destemido - 
nas epifanias de um destino longínquo

o vento caloroso que tocava minha pele
só conseguia ser mais pálido 
que as tuas palavras de despedida,
transformando toda à minha volta
em tornados de lembranças
que teimam rodear minha mente
em cada ventania interna
que por aqui há teima em passar

que as águas de março
fechem o verão e torne a molhar
meu peito
- sangrento -
varrendo a poeira
daquele amor
que não vingou
em mim, mas
virou
poesia.

segunda-feira, 2 de março de 2015

ohana

desculpa se te assusto
com meu romantismo
meio fora de moda
mas é que aquilo que
na verdade me incomoda
é o fato de não ter você

desculpa quando tento
te destravar o riso
com minhas piadas prontas no imediatismo
do meu desespero, pra te arrancar sorrisos
[é que só ele é o motivo do meu coração viver]

desculpa se te escrevo em versos
o que você queria ouvir, 
e até hoje não fui capaz de dizer,
mas se ainda é capaz de ler sobre ti
saberá que sempre existiu em mim
bem como o amor que aqui dentro habita
e nunca irá partir, mesmo depois que eu morrer

[essa é pra você]

o subentendido

não sei porque
pra quê
ou do quê
não sei pra onde vou
quiçá, nem porque vim

continuo beijando o ópio
vivendo o ócio
rejeitando o óbvio

vou remando em rimas
em meio aos problemas
nos versos de um poema
e seus vastos dilemas

é tudo confuso
que no seu próprio tempo
possa haver horas em fuso
que vão se fundindo
 e te confundindo

apesar dos ciclos,
cada um tem teu vício
é quando a paz já está em si
e as raízes estão sendo plantadas em ti.

do toque

pra quê
poupar-se de toques
se o melhor lugar do mundo
continua sendo dentro 
de um abraço?

deixe-se tocar.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

validade indeterminada

sem trocas
ou devoluções:

enquanto meus lábios 
não puderem devorar os teus
devorar-te-ei,
mesmo que internamente;
eternamente.

[por quanto tempo necessário flor.]

unirversos

de versos
perversos
a gente
une os versos
e enfeita
o universo.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

guerras frias, poesia!

nem menos
nem mais
a palavra se faz

o vento ecoa nos auto-falantes
como um ronco morto
de suas loucuras lúcidas
e suas insustentáveis vidas
frias

de dentro
pra fora

arremessando
corações explosivos
transformando todos os sonhos
rebocados de incertezas
enquanto escorrem 
feito macarrão: instantâneo

minta sóbrio
como tinta a óleo
vista o ópio
risca o óbvio
viva!

aquilo que a mente fantasia
quando se faz palavra, vira poesia. 

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

temporizador de saudade

desde que você se foi
tem feito uma tempestade
dentro de mim
[saudade]

a cama tá vazia
o copo sempre cheio
os cigarros acesos
e o coração
- pobre coitado! -
está boiando em tinta guaxe vermelha
feito explosões em aquarela

a cada vez que você vem no pensamento
[ausência]

você pode até não acreditar,
porque é difícil até pra mim,
mas toda aquela fome que me corroía
se transformou em barulhos fora do ritmo
entre o coração
meu sorriso
e a tua razão
[tempo]

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

o tempo

é como um furacão
de vento,
que levanta a poeira que já havia
sido varrida
que levanta as folhas que ousaram um dia 
cair de nossas árvores
amedrontando tudo que ainda não passou
e rindo de tudo que foi deixado pra lá

o passado que não volta
o presente incontrolável
um futuro desastroso.

continuo me encaixando perfeitamente
nas brincadeiras que o tempo tira
com a vida da gente.

previsão do tempo (haicai)

todos
os
dias
chove
dentro
de
mim.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

entre laçados

entre 
NÓS
há um grande
ABISMO

por favor,
mergulha em mim
e transforma esse
NÓ
em
LAÇO.

sábado, 31 de janeiro de 2015

em direção ao abismo

entre vivências
e
experiências
ficamos o mais próximo
do abismo de nossas vidas

a queda livre,
a onda que bate,
e a maré vazia
são como escolhas
que reluzem através
dos nossos destinos;
então aperta o cinto
borda teu acento
com os amores que encontrar
e prepara-te
para mais um voo.


- r e c o m e ç a r -
SE PRECISO FLOR!

distante


por que será
que existe a 
distância?

quisera
aprender
entender
por que 
a distância
mais cruel
é aquela
entre dois olhares

me responde,
Deus
eus
eu
e
.

(feito estrelas que desaparecem do céu
e reaparecem na boca.)

contra o tempo

Parece que a vida é feita de espelhos. 
Tem gente que se espelha em momentos e momentos que se espelham na gente,
Tem gente que gosta da gente, e tem gente que não gosta de gente. 
Eu prefiro os sentimentos. Sempre fui apta ao sentir. Gostava de todas aquelas sensações que o cotidiano me causava, de toda aquela poluição astral dos signos que não combinavam, dos sorrisos que foram contrários aos meus e de como, hoje, bocejo ao lembrar daquilo que costumava me ferir. Sou uma observadora nata. Pôr do sol. Lua cheia por trás da igreja da matriz, ou nas águas do gargalheiras. Abraços que acabam fazendo as palavras se dissipar. Estrelas cadentes. A chuva que não cai. Enterrar o pé na areia da praia. O sono e a preguiça que teima não cessar. Das músicas antigas. Da infância... daquela que vivi e dessa que vivo hoje; costumo pensar que somos crianças já crescidas, que os erros não merecem ser levados tão a sério, e que um beijo-chiclete pudesse reformar as dores internas. Às vezes, a saudade teima em me engolir por dentro. E é aí que dou boas goladas de viver. Não carrego pesos, prefiro recordações. Adoro deixar tudo subentendido. O mundo já é explícito e árduo demais para quem se atreve à viver nesse tempo ilusório. E o tempo passa. E vai passando. E não pára. Tudo que eu queria era poder voltar os ponteiros. E viver tudo de novo. E de novo. E de novo. No espelho, enxergo a imagem de todas as coisas que já foram vividas, por trás da imagem. Nós não somos imagens. Somos interiores. E isso o espelho não vê, mas nossos reflexos nos moldam. O tempo controla a imagem e suas respectivas rugas. O reflexo...as cicatrizes pelo tempo que já passou. E continua a passar. 






São tempos imperdoáveis para não-sonhadores.
Sonhe.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

escada de sentimentos

guardei
           teus
                 beijos
                         no
                             espelho
                                        da
                                           minha
                                                    alma

quem sabe,
assim
todo esse tormento
acabe.

- naquele curto espaço de tempo 
existe um tempo pra gente se reconstruir -
eu me recordo:

dizem
                 que         
o               
tempo                
costuma                         
amenizar                                     
a                                                  
dor                                                  
e                                                     
quiçá,                                                      
salvar                                                              
o                                                                      
amor                                                                       
(próprio)                                                                     

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

maltrapilhos

eu poderia
extirpar 
teu coração
e mantê-lo
como refém
até dos meus piores pesadelos

mas você me conquistou
e 
acabou com tudo 
que planejei
durante anos;

agora só me resta
juntar os nossos 
corações maltrapilhados 
e colar
pedaço por pedaço
até ficar no mesmo tom

no fim
- não sei se o haverá - 
o teu coração pesa mais que o meu,
vou pendurá-lo na boca, amarrado à um barbante
para que o peso do teu fardo
possa me fazer sorrir.

célulamor

entre tantas
e tontas
100 trilhões de células
que existem interiormente
e, de suas formas, 
exteriorizam-se
apenas uma
é capaz
de
amar

não deixe-a morrer
sem antes poder sentir.

poderia ser tudo um sonho

os fantasmas da minha mente
não sabem, ao certo
qual a hora certa
de fazer aquilo que é "certo"

e então, 
caminhamos juntos
como uma flor perdida 
nos jardins,
no pesadelo de uma criança que só se sabe amar

de longe
a gente observa
os fantasmas
sendo transcritos
em versos
que subtendem-se
sobre qual o caminho
certo
- de longe, errado - 
à perder-se
em seu próprio aprisionamento
de pensamentos.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

sorrir com os olhos

há sorrisos que nos encontram,
sorrisos que nos desgastam,
sorrisos que nos matam por dentro,
sorrisos incapazes de sorrir,
sorrisos amarelados
como quem olha
assim, de lado
e não desejava sorrir,
sorrisos que nos enganam
diferentemente dos olhares;

há olhares que nos devoram,
olhares que se encarregam de mostrar nossas histórias em suas profundezas,
olhares que nos instigam à provar o toque, a tirar a roupa, a beijar a pele,
olhares que fazem as palavras se perderem em devaneios e alucinações, enquanto imaginamos aquele toque,
olhares meio de lado
como quem sorri com os olhos
e nos convidam para dimensões
desconhecidas pelas nossas mentes;
olhares que nos devolvem.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

quem sabe?

talvez algum dia
por espera
ou desespero
você decida ficar

e quem sabe, 
então
possa gostar dos meus sorrisos tortos
meio-de-lado
amarelado,
e das piadas sem graça
que ninguém ri
mas até sua seriedade me faria vibrar e ganhar o dia,

não te espero
nem me desespero
mas ficarei aqui
mantendo tudo intacto
com o ar de quem
sempre esteve a te esperar

e talvez,
quem sabe
por descuido do tempo
a gente se ajuste 
enquanto o tempo caminha
e a gente caminha juntos

pode não ser agora
ou talvez já seja a hora
quem sabe?

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

sobre estar só

solidão não é sentir-se só
em meio à multidão;

é estar consigo mesmo
e achar que não há ninguém por perto.


- vazios agudos
que perfuram o peito -

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

surto cotidiano

nos devaneios alucinógenos dos cotidianos
perdi a conta de quantas vezes tentei, 
sem obter retorno
li e reli aquilo tudo que era escrito,
- deveras, palavras que me fizeram sangrar - 
e no desespero pálido, havia um dia cinza que teimava em não passar.
resquícios dos momentos ao lado de quem verdadeiramente amo 
- enquanto o tempo se disponha de um enorme contraste, enquanto temia que tudo aquilo não fosse passar - 
temia...com as pernas trêmulas e o coração andando em corda bamba
por sorte, tudo aquilo acabara antes do abrir dos olhos.

mas ainda sinto tua pele e teu cheiro por todos os meus poros
acendo o último cigarro e seco o copo,
enquanto os devaneios se espalham
trazendo à tona uma realidade cruel
que dilacera as veias
e meu sistema nervoso central

enquanto o desespero vai passando
por fim, a gente descobre sobre aquilo que está em nós e não há como acabar.

pobre dia de cão
que não passa
- e caminha lentamente procurando sarjetas e migalhas de pão -

é uma pena;
não sabe ele que o reencontro há de vir 
numa frequência mais alta do que os ponteiros possam aguentar
- e, só por essa vez, a imaginação tende a não mais falhar -.

domingo, 4 de janeiro de 2015

claquete: ação!

esse coração sangra
enquanto meu peito
arde lentamente
e se choca com as 
cicatrizes reais 
por, um dia, ter sido o bobo da corte
de uns tais corações maltrapilhados
rasgados à troco de um nada
e sorrisos bobos, atrapalhados
expulsando o veneno causado
pelos dias em que morri
em mim
e esqueci de renascer
como uma fênix
à voar
pelo céu
cor
de
baunilha.

sábado, 3 de janeiro de 2015

ressaca poética

engulo
essas tuas palavras
tão cheias de mágoas

mastigo
as nossas horas
desnorteadas

engulo
à palo seco
todas as poesias que fiz para você
e depois vomito-as.