sábado, 31 de janeiro de 2015

em direção ao abismo

entre vivências
e
experiências
ficamos o mais próximo
do abismo de nossas vidas

a queda livre,
a onda que bate,
e a maré vazia
são como escolhas
que reluzem através
dos nossos destinos;
então aperta o cinto
borda teu acento
com os amores que encontrar
e prepara-te
para mais um voo.


- r e c o m e ç a r -
SE PRECISO FLOR!

distante


por que será
que existe a 
distância?

quisera
aprender
entender
por que 
a distância
mais cruel
é aquela
entre dois olhares

me responde,
Deus
eus
eu
e
.

(feito estrelas que desaparecem do céu
e reaparecem na boca.)

contra o tempo

Parece que a vida é feita de espelhos. 
Tem gente que se espelha em momentos e momentos que se espelham na gente,
Tem gente que gosta da gente, e tem gente que não gosta de gente. 
Eu prefiro os sentimentos. Sempre fui apta ao sentir. Gostava de todas aquelas sensações que o cotidiano me causava, de toda aquela poluição astral dos signos que não combinavam, dos sorrisos que foram contrários aos meus e de como, hoje, bocejo ao lembrar daquilo que costumava me ferir. Sou uma observadora nata. Pôr do sol. Lua cheia por trás da igreja da matriz, ou nas águas do gargalheiras. Abraços que acabam fazendo as palavras se dissipar. Estrelas cadentes. A chuva que não cai. Enterrar o pé na areia da praia. O sono e a preguiça que teima não cessar. Das músicas antigas. Da infância... daquela que vivi e dessa que vivo hoje; costumo pensar que somos crianças já crescidas, que os erros não merecem ser levados tão a sério, e que um beijo-chiclete pudesse reformar as dores internas. Às vezes, a saudade teima em me engolir por dentro. E é aí que dou boas goladas de viver. Não carrego pesos, prefiro recordações. Adoro deixar tudo subentendido. O mundo já é explícito e árduo demais para quem se atreve à viver nesse tempo ilusório. E o tempo passa. E vai passando. E não pára. Tudo que eu queria era poder voltar os ponteiros. E viver tudo de novo. E de novo. E de novo. No espelho, enxergo a imagem de todas as coisas que já foram vividas, por trás da imagem. Nós não somos imagens. Somos interiores. E isso o espelho não vê, mas nossos reflexos nos moldam. O tempo controla a imagem e suas respectivas rugas. O reflexo...as cicatrizes pelo tempo que já passou. E continua a passar. 






São tempos imperdoáveis para não-sonhadores.
Sonhe.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

escada de sentimentos

guardei
           teus
                 beijos
                         no
                             espelho
                                        da
                                           minha
                                                    alma

quem sabe,
assim
todo esse tormento
acabe.

- naquele curto espaço de tempo 
existe um tempo pra gente se reconstruir -
eu me recordo:

dizem
                 que         
o               
tempo                
costuma                         
amenizar                                     
a                                                  
dor                                                  
e                                                     
quiçá,                                                      
salvar                                                              
o                                                                      
amor                                                                       
(próprio)                                                                     

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

maltrapilhos

eu poderia
extirpar 
teu coração
e mantê-lo
como refém
até dos meus piores pesadelos

mas você me conquistou
e 
acabou com tudo 
que planejei
durante anos;

agora só me resta
juntar os nossos 
corações maltrapilhados 
e colar
pedaço por pedaço
até ficar no mesmo tom

no fim
- não sei se o haverá - 
o teu coração pesa mais que o meu,
vou pendurá-lo na boca, amarrado à um barbante
para que o peso do teu fardo
possa me fazer sorrir.

célulamor

entre tantas
e tontas
100 trilhões de células
que existem interiormente
e, de suas formas, 
exteriorizam-se
apenas uma
é capaz
de
amar

não deixe-a morrer
sem antes poder sentir.

poderia ser tudo um sonho

os fantasmas da minha mente
não sabem, ao certo
qual a hora certa
de fazer aquilo que é "certo"

e então, 
caminhamos juntos
como uma flor perdida 
nos jardins,
no pesadelo de uma criança que só se sabe amar

de longe
a gente observa
os fantasmas
sendo transcritos
em versos
que subtendem-se
sobre qual o caminho
certo
- de longe, errado - 
à perder-se
em seu próprio aprisionamento
de pensamentos.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

sorrir com os olhos

há sorrisos que nos encontram,
sorrisos que nos desgastam,
sorrisos que nos matam por dentro,
sorrisos incapazes de sorrir,
sorrisos amarelados
como quem olha
assim, de lado
e não desejava sorrir,
sorrisos que nos enganam
diferentemente dos olhares;

há olhares que nos devoram,
olhares que se encarregam de mostrar nossas histórias em suas profundezas,
olhares que nos instigam à provar o toque, a tirar a roupa, a beijar a pele,
olhares que fazem as palavras se perderem em devaneios e alucinações, enquanto imaginamos aquele toque,
olhares meio de lado
como quem sorri com os olhos
e nos convidam para dimensões
desconhecidas pelas nossas mentes;
olhares que nos devolvem.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

quem sabe?

talvez algum dia
por espera
ou desespero
você decida ficar

e quem sabe, 
então
possa gostar dos meus sorrisos tortos
meio-de-lado
amarelado,
e das piadas sem graça
que ninguém ri
mas até sua seriedade me faria vibrar e ganhar o dia,

não te espero
nem me desespero
mas ficarei aqui
mantendo tudo intacto
com o ar de quem
sempre esteve a te esperar

e talvez,
quem sabe
por descuido do tempo
a gente se ajuste 
enquanto o tempo caminha
e a gente caminha juntos

pode não ser agora
ou talvez já seja a hora
quem sabe?

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

sobre estar só

solidão não é sentir-se só
em meio à multidão;

é estar consigo mesmo
e achar que não há ninguém por perto.


- vazios agudos
que perfuram o peito -

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

surto cotidiano

nos devaneios alucinógenos dos cotidianos
perdi a conta de quantas vezes tentei, 
sem obter retorno
li e reli aquilo tudo que era escrito,
- deveras, palavras que me fizeram sangrar - 
e no desespero pálido, havia um dia cinza que teimava em não passar.
resquícios dos momentos ao lado de quem verdadeiramente amo 
- enquanto o tempo se disponha de um enorme contraste, enquanto temia que tudo aquilo não fosse passar - 
temia...com as pernas trêmulas e o coração andando em corda bamba
por sorte, tudo aquilo acabara antes do abrir dos olhos.

mas ainda sinto tua pele e teu cheiro por todos os meus poros
acendo o último cigarro e seco o copo,
enquanto os devaneios se espalham
trazendo à tona uma realidade cruel
que dilacera as veias
e meu sistema nervoso central

enquanto o desespero vai passando
por fim, a gente descobre sobre aquilo que está em nós e não há como acabar.

pobre dia de cão
que não passa
- e caminha lentamente procurando sarjetas e migalhas de pão -

é uma pena;
não sabe ele que o reencontro há de vir 
numa frequência mais alta do que os ponteiros possam aguentar
- e, só por essa vez, a imaginação tende a não mais falhar -.

domingo, 4 de janeiro de 2015

claquete: ação!

esse coração sangra
enquanto meu peito
arde lentamente
e se choca com as 
cicatrizes reais 
por, um dia, ter sido o bobo da corte
de uns tais corações maltrapilhados
rasgados à troco de um nada
e sorrisos bobos, atrapalhados
expulsando o veneno causado
pelos dias em que morri
em mim
e esqueci de renascer
como uma fênix
à voar
pelo céu
cor
de
baunilha.

sábado, 3 de janeiro de 2015

ressaca poética

engulo
essas tuas palavras
tão cheias de mágoas

mastigo
as nossas horas
desnorteadas

engulo
à palo seco
todas as poesias que fiz para você
e depois vomito-as.