Na eterna busca pelo tudo e pelo nada a gente se perde e se reencontra incontáveis vezes. E também vai deixando pedaços de si pelo chão, pelos caminhos e alguns desses pedaços se juntam ao todo de um outro alguém, de forma que nunca mais conseguimos ser completos. Mas a essa altura da minha vida o mais provável é que, independente de quantos pedaços meus existam espalhados por ai, talvez eu ainda nem saiba mesmo quem eu sou.Mesmo com toda minha essência aqui inteira e inquebrável. Não, não é aquela dúvida inconstante e adolescente. A dificuldade é definir não quem e sim qual eu sou. Sou muitas. Infinitas personalidades e vontades e sonhos habitam essa mente, que seria impossível definir em uma pessoa só. Sou Carolina, tal como Chico cantou, menina mulher dos olhos fundos que carrega muito amor e muita dor. Mas fico saltitando entre suas tantas personagens cantadas. Em cada uma encontro algo que me identifico. Em cada uma encontro sentidos e lógicas diferentes. Desde a intensidade a flor da pele até a maior fraqueza aguda que possa existir em uma mulher. Vivo mais o passado e o futuro do que o presente, e apesar de tanta frustração e pressa de que a minha vida comece logo – não querendo admitir para mim mesma que a vida é agora minha filha, acorda! -, vivo entre o meio fio da desesperança que as coisas mudem e a ingenuidade de que, quando menos se espera o mundo gira do avesso e te traz muitas boas novas. Quando eu amo, é para sempre, mesmo que esse amor já tenha me causado dor. Que tenha se transformado em lembrança boa antes de virar mágoa, e que a dor sofrida tenha se transformado em aprendizado daqueles que se carregam a tira colo. Agora se não servir nem para aprendizado e tampouco lembrança boa, que vá para o inferno, e se apague cada rastro da minha memória. Sabe, a dor é algo que a gente acostuma, uma hora não dói mais, o tempo apazigua. Mas o importante mesmo é se entregar, de corpo e alma àquilo que te faz bem, que te completa e te faz sentir a vida pulsando. Não importa se dura 1 dia ou 1 ano, o que importa é a intensidade de emoções que isso esta te trazendo no momento presente. E que nessa entrega a gente se encontre…e desencontre…e encontre e desencontre…e encontre…
Minha escritora preferida.
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