segunda-feira, 2 de março de 2015

ohana

desculpa se te assusto
com meu romantismo
meio fora de moda
mas é que aquilo que
na verdade me incomoda
é o fato de não ter você

desculpa quando tento
te destravar o riso
com minhas piadas prontas no imediatismo
do meu desespero, pra te arrancar sorrisos
[é que só ele é o motivo do meu coração viver]

desculpa se te escrevo em versos
o que você queria ouvir, 
e até hoje não fui capaz de dizer,
mas se ainda é capaz de ler sobre ti
saberá que sempre existiu em mim
bem como o amor que aqui dentro habita
e nunca irá partir, mesmo depois que eu morrer

[essa é pra você]

o subentendido

não sei porque
pra quê
ou do quê
não sei pra onde vou
quiçá, nem porque vim

continuo beijando o ópio
vivendo o ócio
rejeitando o óbvio

vou remando em rimas
em meio aos problemas
nos versos de um poema
e seus vastos dilemas

é tudo confuso
que no seu próprio tempo
possa haver horas em fuso
que vão se fundindo
 e te confundindo

apesar dos ciclos,
cada um tem teu vício
é quando a paz já está em si
e as raízes estão sendo plantadas em ti.

do toque

pra quê
poupar-se de toques
se o melhor lugar do mundo
continua sendo dentro 
de um abraço?

deixe-se tocar.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

validade indeterminada

sem trocas
ou devoluções:

enquanto meus lábios 
não puderem devorar os teus
devorar-te-ei,
mesmo que internamente;
eternamente.

[por quanto tempo necessário flor.]

unirversos

de versos
perversos
a gente
une os versos
e enfeita
o universo.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

guerras frias, poesia!

nem menos
nem mais
a palavra se faz

o vento ecoa nos auto-falantes
como um ronco morto
de suas loucuras lúcidas
e suas insustentáveis vidas
frias

de dentro
pra fora

arremessando
corações explosivos
transformando todos os sonhos
rebocados de incertezas
enquanto escorrem 
feito macarrão: instantâneo

minta sóbrio
como tinta a óleo
vista o ópio
risca o óbvio
viva!

aquilo que a mente fantasia
quando se faz palavra, vira poesia. 

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

temporizador de saudade

desde que você se foi
tem feito uma tempestade
dentro de mim
[saudade]

a cama tá vazia
o copo sempre cheio
os cigarros acesos
e o coração
- pobre coitado! -
está boiando em tinta guaxe vermelha
feito explosões em aquarela

a cada vez que você vem no pensamento
[ausência]

você pode até não acreditar,
porque é difícil até pra mim,
mas toda aquela fome que me corroía
se transformou em barulhos fora do ritmo
entre o coração
meu sorriso
e a tua razão
[tempo]

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

o tempo

é como um furacão
de vento,
que levanta a poeira que já havia
sido varrida
que levanta as folhas que ousaram um dia 
cair de nossas árvores
amedrontando tudo que ainda não passou
e rindo de tudo que foi deixado pra lá

o passado que não volta
o presente incontrolável
um futuro desastroso.

continuo me encaixando perfeitamente
nas brincadeiras que o tempo tira
com a vida da gente.

previsão do tempo (haicai)

todos
os
dias
chove
dentro
de
mim.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

entre laçados

entre 
NÓS
há um grande
ABISMO

por favor,
mergulha em mim
e transforma esse
NÓ
em
LAÇO.