Por que teimas em me julgar ou compreender o fato da
minha não-mais-existência? Eu vivi durante anos, longos e árduos anos. Deparei-me
com a dor, e nela não fui capaz de compreender tão quanto à mim. Apesar de
sempre me distrair, havia algo que me corroía por dentro, assim... Aos poucos.
E a cada dia vivido parecia que estava sendo escrito que eu morreria um dia a
mais e viveria um dia a menos. Deus queira me perdoar, mas não foi por falta do
teu amor que eu deixei de existir. Durante esses longos anos ele foi a minha
única fonte de amor, mas o amor, meus queridos, não é tudo aquilo que a gente
pensa. O amor dói, nos mastiga por dentro, nos faz perder a noção de tudo que a
gente um dia pensou saber conhecer, nos dilacera, nos rebate... Não me culpe
pelos meus atos infantis, nem me entreguem flores agora que já não posso mais
cheirá-las, apenas lembre-se de mim. Lembre-se de como gostei de viver, de como
vivi, das pessoas que conheci e das amizades que fiz, das birras sem sentido
que a madrugada e um pouco da embriaguez vivida me levava a fazer... Lembre-se
de mim pelo meu sorriso, pelo meu abraço apertado, pelas canções que costumava
ouvir e, principalmente, ao olhar para o meu ponto de partida – e chegada -, a
lua. Estarei entre as estrelas, pertinho das nuvens. Agora meu coração pulsa
devagarzinho, sereno, na calmaria profunda do amor daqueles que um dia me
amaram e dos que pude realmente amar. Não procure entender quem sou ou os
motivos que me fizeram chegar até aqui. Não te entristeça, apenas reze. Não
desistam do amor, ele é a melhor fonte de fé para te reconstruir e, quisera eu
ter aprendido isso antes; gozem os bons momentos, amem cada vez mais. E lembre-se
de quanto somos essenciais; e eternos.
Amém
e

Ficou show.
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