quarta-feira, 18 de março de 2015

brincar de amor

o que seria o amor
senão essa eterna brincadeira
de quando a gente era criança:
iôiô,
das idas e vindas
e suas cheganças? 

das atrocidades do tempo

o tempo 
é o senhor travesso;

quando a gente imagina que está indo
na verdade, já estamos voltando
quando pensamos que aprendemos tudo
na verdade, não sabemos quase nada
quando o ciúme imita a saudade
na verdade, é o amor que ainda não foi consumado
quando eles me diziam que eu vivia com a cabeça na lua
na verdade, é porque eu nunca quis sair de lá

eu gosto do tic tac
do passarinho
de tudo que já passou
mas prefiro o que está por vir
e o tempo brinca com tudo
inclusive, quando estamos prestes a partir

ele silencia os tons
vai fazendo o terreno pra saudade,
anexando os dons
matando todas as vontades

das atrocidades do tempo
a melhor de todas
é que ele passa
e sempre vai continuar passando
porque tudo na vida
é passageiro,
mesmo que você não compre a passagem.

quinta-feira, 12 de março de 2015

o som que a risada tem

perceber o som
que a risada tem
se a gente nem sabe
mais o que fazer,
sem sair do tom
a questão desdém: 
você nunca se idiotizou,
nem amou ninguém.

o eco do silêncio
o ego do momento
foi apenas só,
digno de dó
voltando ao pó
na garganta, nó.

diálogos #1

- mas e quando a saudade aperta?
- os olhos apertam também
- de tanto chorar?
- não, de tanto sorrir ao lembrar dela.


o amor tem desses apertos.

terça-feira, 10 de março de 2015

por onde há paz

não sei se foi só sonho
ou se na realidade aconteceu
é que fica quase imperceptível
quando tu aparece em um sonho meu

a realidade se confunde
com a tua imagem
que se distancia a cada 
piscar dos olhos

teu amor é como uma tempestade
de felicidade
e cumplicidade,
esquece essas lonjuras 
enquanto pisco os olhos vagarosamente 
pra que você não saia da minha frente
e vem...chega de saudade!

segunda-feira, 9 de março de 2015

inconstantes

distintos
distantes
destinos
são inconstantes

no nosso destino
já estava escrito:
eu morria em você...

de todas as vezes,
morri de saudade
morri de distâncias 
morri de vontade
morri com as circunstâncias
e eu ia morrendo
a cada lágrima
que você deixava escorrer pelo rosto,
fosse só por saudade
por distância
por vontade
ou pelo nosso
destino
distinto... 
inconstante.

sábado, 7 de março de 2015

âncora

sabe a sensação de estar de frente pro mar?
é como amar pela primeira vez

mergulho
diariamente
pra ter na mente
novas sentimentos
e,
se preciso flor
reaprendo a nadar
a remar
a (re)amar.

terça-feira, 3 de março de 2015

ventos distantes

distante
ouvia os roídos desse coração
que batia
- destemido - 
nas epifanias de um destino longínquo

o vento caloroso que tocava minha pele
só conseguia ser mais pálido 
que as tuas palavras de despedida,
transformando toda à minha volta
em tornados de lembranças
que teimam rodear minha mente
em cada ventania interna
que por aqui há teima em passar

que as águas de março
fechem o verão e torne a molhar
meu peito
- sangrento -
varrendo a poeira
daquele amor
que não vingou
em mim, mas
virou
poesia.

segunda-feira, 2 de março de 2015

ohana

desculpa se te assusto
com meu romantismo
meio fora de moda
mas é que aquilo que
na verdade me incomoda
é o fato de não ter você

desculpa quando tento
te destravar o riso
com minhas piadas prontas no imediatismo
do meu desespero, pra te arrancar sorrisos
[é que só ele é o motivo do meu coração viver]

desculpa se te escrevo em versos
o que você queria ouvir, 
e até hoje não fui capaz de dizer,
mas se ainda é capaz de ler sobre ti
saberá que sempre existiu em mim
bem como o amor que aqui dentro habita
e nunca irá partir, mesmo depois que eu morrer

[essa é pra você]

o subentendido

não sei porque
pra quê
ou do quê
não sei pra onde vou
quiçá, nem porque vim

continuo beijando o ópio
vivendo o ócio
rejeitando o óbvio

vou remando em rimas
em meio aos problemas
nos versos de um poema
e seus vastos dilemas

é tudo confuso
que no seu próprio tempo
possa haver horas em fuso
que vão se fundindo
 e te confundindo

apesar dos ciclos,
cada um tem teu vício
é quando a paz já está em si
e as raízes estão sendo plantadas em ti.