enquanto minha língua
tropeçava, calada, na tua
o meu corpo ansiava por ti
por tua volta, por poder te ver cada vez mais lua
em nossos dias cheios
a saudade era minguante
em nossas noites mais novas
a vontade era crescente
em tuas pernas, fazia sol
aquela magia inarravelmente radiante;
hoje, somos somente saudade
daquilo tudo que não pode ser levado adiante.
quinta-feira, 30 de outubro de 2014
quarta-feira, 29 de outubro de 2014
Devaneios Súbitos
Por que teimas em me julgar ou compreender o fato da
minha não-mais-existência? Eu vivi durante anos, longos e árduos anos. Deparei-me
com a dor, e nela não fui capaz de compreender tão quanto à mim. Apesar de
sempre me distrair, havia algo que me corroía por dentro, assim... Aos poucos.
E a cada dia vivido parecia que estava sendo escrito que eu morreria um dia a
mais e viveria um dia a menos. Deus queira me perdoar, mas não foi por falta do
teu amor que eu deixei de existir. Durante esses longos anos ele foi a minha
única fonte de amor, mas o amor, meus queridos, não é tudo aquilo que a gente
pensa. O amor dói, nos mastiga por dentro, nos faz perder a noção de tudo que a
gente um dia pensou saber conhecer, nos dilacera, nos rebate... Não me culpe
pelos meus atos infantis, nem me entreguem flores agora que já não posso mais
cheirá-las, apenas lembre-se de mim. Lembre-se de como gostei de viver, de como
vivi, das pessoas que conheci e das amizades que fiz, das birras sem sentido
que a madrugada e um pouco da embriaguez vivida me levava a fazer... Lembre-se
de mim pelo meu sorriso, pelo meu abraço apertado, pelas canções que costumava
ouvir e, principalmente, ao olhar para o meu ponto de partida – e chegada -, a
lua. Estarei entre as estrelas, pertinho das nuvens. Agora meu coração pulsa
devagarzinho, sereno, na calmaria profunda do amor daqueles que um dia me
amaram e dos que pude realmente amar. Não procure entender quem sou ou os
motivos que me fizeram chegar até aqui. Não te entristeça, apenas reze. Não
desistam do amor, ele é a melhor fonte de fé para te reconstruir e, quisera eu
ter aprendido isso antes; gozem os bons momentos, amem cada vez mais. E lembre-se
de quanto somos essenciais; e eternos.
Amém
e
coração nordestino
aqui
a
raça
e
a
força
do
povo
é
cantada
como
cenas
de
filmes
cantarolados
em
seu
enredo
uma
imagem
de
paz
e
de
povo
trabalhador
a
raça
e
a
força
do
povo
é
cantada
como
cenas
de
filmes
cantarolados
em
seu
enredo
uma
imagem
de
paz
e
de
povo
trabalhador
essiomi
essa boe
é caba da peste
e mulherzinha
essa boe
é caba da peste
e mulherzinha
é o sertão do nordeste
seja aqui
seja no agreste
seja como flor,
desculpa, meu senhor
mas meu coração
é caboclo faroeste.
seja aqui
seja no agreste
seja como flor,
desculpa, meu senhor
mas meu coração
é caboclo faroeste.
terça-feira, 28 de outubro de 2014
aos meus heróis (capítulo I)
sou cabeça poética
vestida do avesso
perdida no tempo
no tempo perdido
do menino russo
um tanto travesso
vestida do avesso
perdida no tempo
no tempo perdido
do menino russo
um tanto travesso
sou meu corpo esculpido
de vestimentas e sensações
me dispo inteira quando
remoto, no controle
Calcanhoto, gafanhotos e imensidões
de vestimentas e sensações
me dispo inteira quando
remoto, no controle
Calcanhoto, gafanhotos e imensidões
sou meus passos dados
dispostos a me levar onde for
tirando os chinelos sujos
dançando com Bete balanço
e o menino Cazuza tão cheio de dor
dispostos a me levar onde for
tirando os chinelos sujos
dançando com Bete balanço
e o menino Cazuza tão cheio de dor
sou Amarante
do mar sou amante
e Marcelo no meio das dunas seguia...
sem Malu, sem Camelo
brincava como criança se descobrindo em um céu de diamante
do mar sou amante
e Marcelo no meio das dunas seguia...
sem Malu, sem Camelo
brincava como criança se descobrindo em um céu de diamante
já fui Janis
já foi John
já fui Kurt
tudo ao mesmo tom
já foi John
já fui Kurt
tudo ao mesmo tom
peguei carona com Lucy
fui parar no submarino
brinquei, ali, com o George
e o Ringo ficou só rindo
de como brinquei com Paul
sendo ele tão menino
fui parar no submarino
brinquei, ali, com o George
e o Ringo ficou só rindo
de como brinquei com Paul
sendo ele tão menino
menino criança
menina da lua
despi minhas roupas palavras
e de poucas em poucas palavras: poesia crua
eis, aqui, o meu corpo nu.
menina da lua
despi minhas roupas palavras
e de poucas em poucas palavras: poesia crua
eis, aqui, o meu corpo nu.
quarta-feira, 22 de outubro de 2014
tragada poética
costumo tragar palavras
sem tantas doses recomendadas
sem tantas doses recomendadas
as trago porque
de alguma maneira
elas me fazem ser melhor
durante o dia,
ou durante uma noite inteira
de alguma maneira
elas me fazem ser melhor
durante o dia,
ou durante uma noite inteira
mal sei se faz mal ao corpo
mas costuma agir diretamente
no sistema sanguíneo
e vital
mas costuma agir diretamente
no sistema sanguíneo
e vital
por ser vital pra minha vida
por fazer do meu corpo,
morada.
por fazer do meu corpo,
morada.
então eu trago palavras
e faço que elas se dissipem
em cada golada de vinho barato
em cada fumaça jogada ao vento
e faço que elas se dissipem
em cada golada de vinho barato
em cada fumaça jogada ao vento
decidi não poluir meus pensamentos
quiçá, só o coração
já o desgracei tragando uma vida inteira
de palavras e sensações;
feitos um para o outro
como cigarros em jarros de flor
como flores espetadas no peito
como nicotina em forma de amor.
quiçá, só o coração
já o desgracei tragando uma vida inteira
de palavras e sensações;
feitos um para o outro
como cigarros em jarros de flor
como flores espetadas no peito
como nicotina em forma de amor.
terça-feira, 21 de outubro de 2014
segunda-feira, 20 de outubro de 2014
intensificador de pensamentos
me
escapuliu
do
pensamento
tudo
aquilo
que
me
incomoda
eu
poderia
estar
triste
mas
isto
é
tão
fora
de
moda.
escapuliu
do
pensamento
tudo
aquilo
que
me
incomoda
eu
poderia
estar
triste
mas
isto
é
tão
fora
de
moda.
domingo, 19 de outubro de 2014
rojões internos
já que
a gente
não dá
mais
que tal
selar um trato
pra acabar essa
guerra
com paz?
(internos: essa dor imensa
de canhões que teimam disparar contra o meu peito)
a gente
não dá
mais
que tal
selar um trato
pra acabar essa
guerra
com paz?
(internos: essa dor imensa
de canhões que teimam disparar contra o meu peito)
sábado, 18 de outubro de 2014
quinta-feira, 16 de outubro de 2014
anoiteceu!
apaguem
as luzes da cidade
acendam
as fogueiras e vinis
é chegada a hora da lua
a hora mais crua
a hora bem nua
a hora que tua língua míngua
ei, você
pode ver a lua?
pode se tornar crua?
e se eu te fizer nua?
e se te despirem do melhor sorriso
mas, ao mesmo tempo,
te mostrarem o paraíso
entre nuvens,
céus,
e se te levam até as estrelas?
seremos, pois
dois corpos nus
em meio a constelação
tocando, em cada pedaço
florescendo, em qualquer momento.
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